À primeira vista parei, era um sorriso largo, solto, lindo, simplesmente lindo...
Fiquei de longe rindo junto, uma desconhecida entrometida que ria de um riso que não lhe pertencia, era eu!
Tomada por uma sensação de liberdade que me é bem peculiar, cheguei conversando, apostando uma jogada, encarando com o olhar o que ainda era um mistério, sua simplicidade....
Perdi feio, tomei de lavada, aquela pose toda foi por água abaixo, mas não me rendi. Tava completamente vencida em todos os sentidos, mas sem saber, vencedora também.
É muito fácil lidar com peças brutas, bem esculpidas e ocas... Mas quando se depara com uma obra viva de alma, não basta apenas admirar, é preciso ter, ou tentar pelo menos, e foi o que eu fiz.
Mas como adquirir uma peça tão cobiçada? Não tive resposta, não achei um caminho, então achei melhor ser simples também, ser o que sou pra ver se a sorte estava a meu favor. E antes que a noite caísse, vejam só... Eu já tinha virado artista, poeta, maestra, e a maior colecionadora de raridade.
Agora era eu quem provocara risos, e por Zeus, kkkkk... eles me pertenciam!! E mais, eram muito, mas muito mais radiantes de perto, assim, quase rindo na mesma face, quase misturando o mesmo riso, que já não era mais riso, era sorriso, que já não era mais isso, era um beijo e já não era mais desejo, era saudade de quem estava ali presente. E o riso se fechou, a coisa ficou séria.
Segundos passaram, não contei o tempo, talvez minutos nos sondaram naquele momento....
Mas os rostos não se expressavam, só o olhar se envolvia... O coração pulsava de um jeito que não cabia...
Era hora de partir e agir... Tomei coragem e pedi que não me deixasse, o sonho não podia acabar naquela hora, não daquele jeito...Ganhei outro sorriso, desta vez acanhado, e ele até hoje me acompanha, mesmo não estando sempre ao meu lado...
Essa é a minha maior prova de conquista, uma obra dessas nunca pertence ao artista...
CELULAR: Vicio ou necessidade?
Há 11 anos

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